Taxistas, Por Ramon Aymerich

Tenho sofrido taxistas de todo o tipo. Simpáticas e antipáticas. Localização e outros que não em tão alto grau. Parlanchines ou assustadoramente calados. Pessoas de bacana fé, mas também indivíduos dispostos a congelarme por não pretender fechar a janela da frente em pleno inverno ou de obligarme a abandonar o táxi por não falar sobre este tema o seu ideário político.

O estilo tem melhorado nos últimos anos, com a entrada de adolescentes e mulheres. Mas o taxista lhe foi concedido sempre o atenuante de que dirigir “imprime caráter” e precisa-se estar preparado pra tudo. A ironia quis que o táxi, por esse mundo sem protocolos pra empatia, se tenha convertido em caso de conflito. O espaço onde acabam as sucessivas ondas de modificações pela economia. Duas são as ameaças que pairam a respeito do táxi. Uma é bem conhecida.

É a economia colaborativa, rivais como Uber. Outra, a inteligência artificial, a possibilidade de táxis sem motorista, um contexto não tão afastado quanto parece. O combate de Uber é nítido. As administrações o temem. Se o Uber lhes é complexo, o que vem agora poderá parecer ficção científica. Ou alguma coisa pior, dependendo de como você olha para ele.

Selman, Wallach e Vardi explicaram que haverá menos acidentes, porém também menos serviço. Isso prontamente era previsível. Menos previsível são as reflexões que acompanharam a apresentação. “Você necessita se apressar. Devemos começar a sonhar seriamente sobre o que farão os humanos quando as máquinas o realizam quase tudo. Terá que redefinir o sentido da vida sem o trabalho”. Resta um único consolo. Ao passo que vamos, a alegria vai durar insuficiente a Uber.

Foi a origem de hoje aclamada cerâmica de Sargadelos, tão valorizada. Infelizmente, o nobre visionário teve um desfecho trágico: uma multidão o linchó durante a disputa da Independência sob a abominável acusação de ‘afrancesado’. Antes de sair de Santa Eulália, visito a loja de facas Hyottoko, onde me abastezco de múltiplas facas artesanais.

São instrumentos com pedigree, visto que o negócio acumula mais de um século de atividade. A compra será minha defesa durante a caminhada que pretendo fazer, o caminho da Seimeira. Qualquer ruidito me remete ao Hansel e Gretel desorientados no mato, ou para o faminto lobo, em pesquisa de um delicioso caperucito.

Que dé uma olhada se você se atreve, espero armado até os dentes. O pequeno bairro de Pumares praticou a ferraria no passado, como o provam os restos de outro velho baralho. Mais além, o trajeto segue junto a paredes de pedra estofadas de musgo. O abandonado núcleo de Ancadeira e o silencioso vale do Exilado são a ante-sala da atronadora cachoeira (Seimeira) que apresenta o nome à rota, com trinta m de queda. Retorno pelo mesmo caminho, desta vez em significado inverso.

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A marcha me tem ocupado por volta de duas horas e meia, agradáveis e sem grandes desníveis. As estradas asturianas são um pouco liosas: eu tenho que agarrar um desvio pra cobrir os dez km que separam Santa Eulalia de Oscos de San Martin de Oscos, meu próximo destino.

Uma procura feita visitantes da comarca perguntava a esses o que lhes havia desagradado dela. A resposta mais abundante foi “as estradas”, assinaladas por um 26% dos interpelados. Sim, a segunda opção lhe pisava os calcanhares, com 23,2%: “Nada”.

A mim, o que querem que lhes responda, eu adoro de circular por estas vias. Construídos em pedra e ardósia, esses últimos são reconhecidos por tua forma circular. Também me encantam os cortines ou colmiales, umas ovais construções de pedra, em cujo interior se colocam as colmeias para defender os animais gulosos. Há muitas, abundam os lugares ensolarados, e a proteção do vento. Assim divertido chegou a San Martin de Oscos, um público alguma coisa mais pequeno do que o Santa Eulália: não chega a 400 habitantes. A Casa do Quadro mostra como foram as casas usuais Dos Oscos, quando a auto-suficiência era imperativa.